A LEI DA SEMEADURA

Leitura base: Gl 6.6-10; Destaque histórico: Gn 25.20-26;32.22-30.

Por Daniel Matos Chaves – pastor.

E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui. Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé”.

Desde o capítulo 3.15 de Genesis, Deus havia prometido um ser humano nascido da semente da mulher, que resolveria o problema causado pelo pecado na raça humana. Compartilhar com suas criaturas o Seu plano eterno de trazer ao mundo O Messias, foi uma decisão puramente divina; Deus assim quis. Alguns homens foram levantados por Deus durante a história bíblica; dentre eles patriarcas como Abraão, Isaque e Jacó. De Abraão nasceu Isaque, de Isaque nasceu Jacó. Caminhando para a bênção do nascimento do Redentor, muitas dificuldades se levantaram: Abraão gerou a Isaque já na sua velhice, por ser sua mulher Sarai estéril; Isaque também já de idade considerável, casa-se com Rebeca, que também era estéril, precisando este orar a Deus para que abrisse a madre de sua esposa, no que foi atendido e Rebeca e concebeu. Isaque já estava com sessenta anos quando Rebeca achou-se grávida de gêmeos. As crianças lutavam no seu ventre o que a levou a orar a Deus para que lhe dissesse o porquê daquilo. Deus lhe responde inclusive com promessas: “Duas nações estão no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas: um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior (primogênito) servirá ao menor”. Deus estava dizendo a Rebeca que seu segundo filho teria uma posição superior à do primeiro. Se assim Deus falou, se encarregaria em cumprir. Ao cumprirem-se os dias de Rebeca dar à luz seus filhos, ao primeiro deram o nome de Esaú – Hb “Esav – peludo ou coberto de pelos”; ao sair o segundo, sua mão estava agarrada ao calcanhar do primeiro, pelo que lhe deram o nome de Jacó – Hb “Ya’akov – aquele que agarra ou suplanta”. Esaú se tornou caçador e trabalhador do campo, enquanto que Jacó foi um homem simples, habitando em tendas e cuidando de rebanhos. Por Isaque gostar de degustar caças, se apegava mais a Esaú, enquanto que Rebeca se apegava mais a Jacó que lhe assistia em casa. “Jacó preparou um guisado delicioso e está com um prato na mão quando se encontra com Esaú vindo cansado de uma caçada exaustiva. Disse Esaú a Jacó: dá-me, peço-te, desse guisado vermelho (daí Edon), porque estou cansado. Disse-lhe Jacó: vende-me hoje a tua primogenitura. Esaú lhe responde: para que me serve a primogenitura se estou a ponto de morrer? Jacó lhe disse: Jura-me hoje. E jurou-lhe, vendendo a sua primogenitura a Jacó. Jacó deu pão e guisado de lentilhas a Esaú e ele comeu, bebeu, levantou-se e foi desprezando assim a sua primogenitura, Gn 25.24-34”. Novo período de fome veio à terra, forçando Isaque a seguir para a terra de Gerar na Filístia, e se apegou ao rei Abimeleque.

 

O DESGASTE DE UM MOMENTO FEZ ESAÚ DESPREZAR A PRIMOGENITURA

Não era tarefa difícil para Esaú suportar o momento de desgaste de horas ou dias numa caçada mal sucedida; por outro lado, não tinha ele razão para abrir mão da bênção que Deus o havia dado e que lhe pertencia por direito. O coração obstinado de Esaú não lhe permitiu valorizar a benção da primogenitura. Diante da proposta do irmão que lhe ofereceu alimento em troca da bênção, Esaú não pensou muito e verbalizou algo que iria lhe custar caro pelo resto da vida: “Do que me vale a primogenitura se estou quase morrendo de fome”. Obviamente ele estava cansado, exausto devido à fadiga causada pelo sol e trajeto em sua jornada, mas, longe estava de morrer por conta da exaustão. O desgaste do momento fez Esaú negociar o inegociável. Aquilo que Deus dá não se tem autorização para negociar de forma alguma. Naturalmente a composição da bênção patriarcal seria: Abraão, Isaque e Esaú, contudo, dali para a frente, passou a ser composta: Abraão, Isaque e Jacó. O servo de Deus precisa entender que os momentos passam, propósitos permanecem. A fome de Esaú iria passar em alguns minutos, mas, sacrificou seu futuro por causa de um momento e, esse é um caminho mui perigoso. Quantos homens de Deus não já sofreram prejuízos mil por conta de alguns minutos de prazer… Reflita: Ou você sacrifica um momento por causa do seu futuro ou você sacrifica o seu futuro por causa de um momento. Os momentos de desafios, desgastes, aflições, todos passam e a vida continua, mas, as perdas de hoje, refletirão e serão respostas amanhã. Todas as decisões tomadas debaixo das pressões das circunstâncias, poderão ser trágicas e trarão consequências amargas pelo resto da vida. As perdas de Esaú nos ensinam a não decidirmos pelas coisas sérias quando estivermos exaustos, cansados, esgotados; quando um homem de Deus se encontrar assim, é melhor deixar para tomar as decisões com calma, serenidade, prudência e tranquilidade. Quando nos sobrevém momentos de ira, é bom pensar e conferir até dez para responder. Igualmente, quando sentires empolgação, não prometa nada, poderás falhar. Nossas decisões marcarão as nossas vidas com lembranças doces ou amargas. O prato de guisado pelo qual Esaú trocou a sua primogenitura, era de lentilhas vermelhas; isso decidiu o futuro de Esaú; sua descendência passou a ser conhecida como Edomitas ou povos vermelhos, cor do prato de comida. Em contra partida, a descendência de Jacó que seria algo como Jacomitas, por causa da mudança do seu nome (o que veremos depois), passou a ser chamada de Israelita. Logo, seremos lembrados pelas decisões que tomamos na vida, sejam boas ou más. A descendência de Esaú passou a ser lembrada pelo prato vermelho pelo qual ele se vendeu; a descendência de Jacó foi lembrada pelo encontro que ele teve com Deus (?) no Val de Jaboque. A narrativa bíblica vai dar conta da vida de ambos, levando em consideração as decisões do coração.

 

DESAJUSTE FAMILIAR EMBASADO NO ENGANO

 

Isaque já estava avançado em dias e, por alguma razão que a medicina de então não conseguia resolver, perdera a visão e tratou de resolver algumas coisas em família antes que viesse a faltar. Precisava resolver, inclusive, a ministração da bênção aos seus dois filhos, o que era uma responsabilidade e tanto, uma vez que Isaque carregava consigo a promessa do Messias que haveria de vir no tempo predeterminado por Deus. O velho Isaque desejou degustar um alimento antes que morresse. Chamou então o seu filho primogênito (Esaú) em secreto e disse: “Toma as tuas armas, a tua aljava e o teu arco, e sai ao campo, e apanha para mim alguma caça, e faze um guisado saboroso, como eu gosto, e traze-me, para que eu coma, e para que a minha alma te abençoe, antes que morra”. Note: Vá ao campo e pegue uma caça. Rebeca que amava mais a Jacó e ouvira a conversa dos dois, chama o filho do coração e lhe diz: “Vá ao rebanho e traz dois cabritos e eu farei deles um guisado saboroso para teu pai, como ele gosta”. A distância e as dificuldades que Esaú iria encontrar era bem diferente da distância e das dificuldades que Jacó encontraria. Isto nos ensina que devemos ter cuidado com os resultados rápidos e com aquilo que não nos custou nada. Aquilo que não envolve sacrifício, geralmente não se valoriza. Vale lembrar do rei Davi (2 Sm 24) quando tentado por um nível de vaidade momentânea, mandou fazer o senso do povo para ver quantos guerreiros estavam à disposição. Deus o rejeitou e abominou tal atitude, pois, isso de alguma forma anulava o poder divino em dar ao Seu povo as vitórias necessárias, independentemente do aparato para a guerra. A vitória e o sucesso da nação viriam do Senhor, à medida que fosse fiel a Deus. Precisou sacrificar na eira de Araúna e pagar caro por isso.

A decisão de Rebeca de ir ao quintal foi mais fácil; Jacó chegou primeiro, contudo, nem sempre isso é bom. O melhor lugar é no centro da vontade de Deus, ainda que se pague um preço pela obediência.

 

O LUGAR QUE DEUS QUER PARA CADA SERVO SEU, SEMPRE É O MELHOR

 

Quando se olha para a missão de Paulo e Silas em At 16, se entende que a vontade de Deus nem sempre é o lugar mais confortável; mesmo sendo espinhosa, tudo terminará bem, quando se confia inteiramente no Senhor. Era a segunda viagem missionária de Paulo. No lugar de Barnabé e João Marcos, Paulo havia levado consigo a Silas. O objetivo depois de visitarem as igrejas e confirmarem os irmãos, era seguirem para a Frígia e pela província da Galácia, mas, o Espírito os impediu dessa missão. Chagando a Mísia, intentaram ir para a Bitínia e o Espírito Santos também os impediu. Desceram a Trôade quando Paulo teve uma visão em que um varão Macedônio regava-lhes dizendo: passa a Macedônia e ajuda-nos. A missão continuou até chegarem em Filipos onde pregaram e Deus os abençoou com vidas que se entregaram a Cristo. Como resultado do que Deus fez naquela cidade, foram açoitados e presos. O Senhor visitou seus servos na prisão através de um terremoto local. As cadeias se quebraram, a prisão se abriu, os presos foram livres e o carcereiro intentou adiantar seu cruel castigo sacando da espada para se suicidar, quando Paulo gritou: Não te faças nenhum dano, todos estamos aqui. Aquele homem os tirou para fora e lhes perguntou: senhores, o que é necessário que eu faça para me salvar? A resposta dos missionários foi: Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa. Ali aconteceu uma transformação extraordinária. Os homens de Deus estavam sofrendo as dores dos açoites, contudo, o carcereiro, sua casa e muitos outros se converteram a Cristo. O lugar onde Deus está conosco nem sempre é o mais atraente e confortável, contudo, é o melhor para o Reino, pois Deus olha diferente dos homens, Deus olha de cima para baixo e conhece tudo. Pode custar mais, demorar mais, exigir mais sacrifício, mas, sempre termina bem.

 

REBECA DEIXOU DE CONFIAR NO QUE DEUS HAVIA LHE FALADO E TENTOU AJUDÁ-LO

 

Rebeca por não confiar inteiramente no que Deus havia lhe dito, tentou ajudar o plano divino, criando atalhos; enganou e traiu a confiança do seu filho Esaú e por tabela seu esposo Isaque. A preferência por filhos numa família, causa prejuízos grandes. Pela postura de cada filho e o valor que ambos davam ao que é sagrado, sabemos que Deus estava focando Jacó que valorizaria a bênção lá na frente e rejeitara Esaú que a havia trocado por um prato de guisado. Isso nos ensina algo: aquilo que Deus está tratando, não devemos pôr a nossa mão. Rebeca estava plantando uma semente de engano que custaria o desconforto familiar causado pela inimizade entre seus dois filhos. A narrativa de Gn 27 nos informa ponderações feitas, inclusive por Jacó para não proceder com as ideias da sua mãe, mas, ela chamou para si (27.13) as consequências. Rebeca e Jacó, ao planejarem enganar Isaque e Esaú, não sabiam que a lei da semeadura não é uma lei sobre pessoas, e sim sobre a vida. Um dia a colheita chegaria. Ademais, Deus não precisava de ajuda para levar a cabo aquilo que Ele mesmo estava desenhando na família de Isaque, assim como não precisa da interferência de ninguém para cumprir quaisquer projetos; Deus só precisa de fidelidade e sinceridade. Ele é suficientemente poderoso para concluir aquilo que ele começou. O homem pode falhar, mas, as promessas de Deus não falham.

Jacó, então, estava pronto para enganar a seu pai Isaque, como já havia enganado ao seu irmão Esaú. A mãe havia arquitetado um plano, tentando dar “uma mãozinha ao plano divino”. O famoso “jeitinho brasileiro” que muitos lançam mão dele para se dar bem. Os dois filhos atenderam ao pedido de Isaque, com algumas diferenças: Esaú foi buscar uma caça e isto demorou, gastou tempo e se fadigou, voltando com sucesso; Jacó foi buscar dois cabritos e isto não demorou, não lhe custou tanto, obtendo resultado rápido. Isso nos ensina algo: nem tudo o que está dando certo, tem a benção de Deus e terá um final feliz. Diferente e perigoso seria o resultado e final daquela trama familiar. Para Esaú foi custoso encontrar uma caça apropriada para aquele momento; para Jacó a tarefa foi menos custosa, ele chegou primeiro, mas trabalhou com engano, o que lhe trouxe consequências grandes, fugindo do seu irmão. O que não custa muito não valerá muito e não durará por muito tempo. Se o plano de Deus é seguido à risca, ainda que custe lágrimas, ainda que demore mais e não seja da forma que queremos, ele dará certo. Está escrito em Pv 10.22: “A bênção do Senhor é que enriquece, e Ele não acrescenta dores”. O caminho de Deus nem sempre é o mais fácil, mas, sempre é o que nos leva mais longe. Deus trabalha no Seu ritmo e não no ritmo humano;  no Seu tempo, não no tempo humano; do Seu jeito, não do jeito humano. Em Ex 14 registra que os Hebreus fugindo de Faraó, já estavam bem avançados na caminhada quando Deus lhes diz: voltem e acampem em Pi-Hairote, junto ao mar. Parecia incompreensível ou mesmo loucura, mas, Deus estava alinhando o último homem dos hebreus com o último homem dos egípcios, de maneira que ao entrar o ultimo egípcio no mar, sairia do outro lado o último homem hebreu e todos os Egípcios morreriam nas águas do Mar Vermelho. Logo, trabalhar no ritmo de Deus, traz livramento. O que não se entende hoje, amanhã teremos o conhecimento da forma como Deus trabalhou.

 

JACÓ COMEÇA A RECEBER O FRUTO DO ENGANO QUE HAVIA PLANTADO

 

Com o incentivo da mãe que àquela altura já estava atribulada por conta do que ouviu das intenções de Esaú contra o irmão Jacó; com a benção e conselhos do pai Isaque, Jacó tem que fugir para Padã-Arã, e tentar se abrigar com seu tio Labão. La chegando, conhece a mui formosa Raquel a quem ama e se dispõe trabalhar sete anos e se casa com ela. Ela era filha mais nova de Labão irmão de Rebeca, logo, eram primos. Ao passar a primeira noite de núpcias, Jacó descobre que Labão o havia enganado entregando-lhe Leia a mais velha e não Raquel. Leia não possuía a beleza física de Raquel e era portadora de uma deficiência visual. Contudo, Jacó já a tinha conhecido, não podendo desatar-se com ela. Havia um costume na região em que a filha mais nova não podia se casar primeiro que a filha mais velha. Jacó recebe a proposta de receber também a mulher a quem amava e por ela trabalhar mais sete anos. A colheita do que Jacó havia semeado lá atras, havia chegado. Há um adágio bem conhecido e que tem embasamento bíblico: aqui se faz, aqui se paga. Jacó havia usado de engano para com seu pai Isaque e para com seu irmão Esaú; agora, estava sendo enganado por seu tio Labão. A lei da semeadura havia sido aplicada sobre as vidas que envolviam aquelas famílias.

Trabalhou sete anos por Raquel, recebeu Leia, tendo que trabalhar mais sete anos por Raquel. A lei da semeadura não é uma lei sobre pessoas e sim sobre a vida. Não engane ninguém pois a vida te levará às consequências desse engano. Se fez o bem a alguém e não recebeu o bem, deixe com Deus e o tempo. Jacó recebe a colheita do engano; depois de 14 anos de trabalho, com duas mulheres e filhos, sem nada acumulado, precisava voltar para a sua terra. Labão lhe propõe mais sete anos de serviço, entendendo que a bênção de Deus estava sobre Jacó e por tabela, havia lhe alcançado. Labão agora queria assalariar a Jacó por mais sete anos de trabalho. Jacó reconhece igualmente a benção divina sobre sua vida e sobre a casa do seu tio/sogro. Àquela altura, Deus põe fim à colheita ruim semeada por Jacó e sua mãe e lhe dá uma ideia brilhante, (30.27-43) Disse a Labão: a partir de agora, “crias malhadas e manchadas serão minhas e as lisas e brancas serão tuas”. Dali para a frente, tudo o que nascesse malhado e salpicado pertencia a Jacó e todo o gado liso e branco era de Labão. Jacó incluiu no plano uma estratégia: descascou varas até aparecer o branco e colocou-as nos bebedouros junto com as telhas, para que as ovelhas ao cruzarem bebendo e olhando para as varas listradas e as telhas, concebessem listrados e malhados. Com essa estratégia Jacó, em sete anos, cresceu, enriqueceu e se tornou um homem de grandes posses, enquanto a lei da semeadura era agora aplicada a Labão. O rebanho de Labão deixou de crescer por ele ter sido injusto para com Jacó. Deus que não deixa impune os atos de injustiça dos homens. Deus estava de olhos fitos em Jacó e seu tio Labão, e faz com que a semeadura de Labão fosse colheita para Jacó. O labão que enganou a Jacó, estava agora sendo por Jacó enganado. Não podemos permitir que as nossas mãos e as nossas ações sejam de injustiça para ninguém, pois, Deus não deixará impune.

Labão que enganou a Jacó, foi por Jacó foi enganado; Deus agora estava cobrando de Labão a sua semeadura. John Wooden disse: “O que nós somos quando tem alguém por perto é nossa reputação; o que nós somos quando não tem ninguém por perto é o nosso caráter”. As pessoas nos imaginam (…), mas não sabem de fato do nosso caráter, só Deus. Jacó se dirige à sua terra natal mais sabe que o encontro com Esaú poderia ser decisivo e até trágico. Até então ele é Jacó, aquele que agarra, que suplanta. Embora Deus tenha já lhe retribuído conforme semeou, seu coração continua enganoso, capaz de maquinar algo pra se dar bem (lei Gn 32.3-21), especialmente os versos 13-21. Jacó sabe e sente que precisa de uma mudança interior. Ele chega com sua família e seu gado à montanha de Gileade, perseguido por Labão que o encontrou. Depois de selarem um pacto e levantarem um montão de pedras e uma coluna como testemunhas de paz entre eles, Jacó despede seu povo e seu gado em três bandos, na intenção de desviar alguns de seu irmão Esaú e de lhe aplacar também a ira. Jacó passa o Val de Jaboque, despede suas mulheres, servos e rebanho. Buscando achar graça aos olhos de Deus para ser aceito por seu irmão Esaú, Jacó fica no Val de Jaboque, certamente em uma vigília diante do Senhor, que enviou o seu anjo. Um varão luta com Jacó; depois esse ser o fere, tocando-o na conjuntura da coxa e termina mudando o seu nome de Jacó (aquele que agarra, suplantador), para Israel (príncipe de Deus). Manco, mudado e transformado, Jacó vai ao encontro de seu irmão Esaú e é por ele aceito e perdoado.

 

CONCLUSÃO/APLICAÇÃO:

 

E o que é instruído na palavra reparta de todos os seus bens com aquele que o instrui. Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não houvermos desfalecido. Então, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé”.

Com a atitude de Rebeca em querer ajudar a Deus no Seu plano, terminou sendo um ato de zombaria, de escarnecimento, não acreditando em Seu poder. Rebeca e Jacó lançaram uma semente ruim em solo fértil. O medo e o pavor tomaram conta do coração do velho patriarca Isaque, se estendeu a Rebeca e a Jacó que terminou fugindo de seu irmão para não acontecer uma tragédia em família. A semeadura de Jacó lhe custou muito caro. Deus, ao pôr fim à colheita de Jacó, passa a cobrar de Labão aquilo que ele havia semeado contra seu sobrinho/genro. Jacó, com todo esse histórico, tinha algo muito mau resolvido: seu nome lembrava engano. Ele havia enganado o próprio pai e usurpado a bênção que por direito, pertencia a seu irmão Esaú. Ainda bem que Deus olha diferente do homem. Este olha de baixo para cima, Deus, no entanto, olha de cima para baixo e conhece o coração de todos os homens. Ele sabia que o coração de Esaú não guardaria os segredos divino por muito tempo e que trocaria a sua bênção de primogenitura por um prato de guisado vermelho; assim como sabia que Jacó, embora de coração volúvel, queria mudanças e saberia tratar as coisas de Deus com mais responsabilidade. Trazendo estas lições de vida para a prática ministerial, quantos de nós obreiros, chamados por Deus e que carregamos o Bom Nome do Senhor, trabalhamos com enganos, traições etc. Quantas falhas existem em algumas áreas de tarefas ministerial! No lidar com o dinheiro de Deus que é gerado pela membresia; no tratar com o rebanho como se fosse dominador daquilo que não lhe pertence; no preencher uma estatística de campo, acrescendo ou decrescendo as informações; no tratar sobre a forma administrativa como o companheiro que o antecedeu geriu a igreja; no compromisso que tem de ser exemplo a toda população onde está inserido, especialmente “ser exemplo dos fiéis”, o que não é fácil, pois, isso implica ser mais fiel que os fiéis; na forma como trata o espiritual, a mordomia cristã, a mordomia familiar, entendendo que Deus mensura não o nosso trabalho ou volume deste e sim a intenção que nos leva a fazer o que se faz; nos planos, projetos, intenções e realizações, para que tudo seja para a glória de Deus, etc. “Porque o que semeia na sua carne da carne ceifará corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna”. Ministro de Cristo Jesus, você é um representante de Deus nesta terra; como tens semeado? Tens semeado motivado pela carne (pensamentos maus, sentimentos ruins e levianos, práticas anticristãs, feitos abomináveis aos olhos de Deus e dos homens), ou tens semeado no Espírito? Para semear no Espírito é necessário, impreterivelmente que: “ande no Espírito, seja guiado pelo Espírito e viva no Espírito, Gl 5.16, 18,25”. Só assim o obreiro não cumprirá as concupiscências da carne. Assim como em Jacó, Deus não espera encontrar em nós perfeição, mas, espera encontrar sinceridade. Se precisar passar pelo Val de Jaboque (lugar a sós com Deus), para que haja mudanças em tua vida, família e ministério, passe. Deus estará lá à tua espera. Poderá ser doloroso, contudo, valerá a pena. Desejo que tenhas sempre um ministério abençoado e abençoador e que os frutos gerados permaneçam. Assim seja em nome de Jesus a quem servimos.