Deus não Habita em Templos Feitos por Mãos Humanas
| O Deus que fez a mundo e tudo o que nele há, sendo ele Senhor do céu e do terra, não habita em templos feitos por mãos de homens (Atos 17.24) |
O propósito de Paulo era pregar aos atenienses o monoteísmo e a transcendência de Deus. Apresentar-lhes um Deus que é Espirito (Jo.4.24), e que pode sê adorado a qualquer hora e lugar, desde que seja feito em espirito e em verdade (Jo.4.23), isto, é, com inteireza de coração. Ele confronta frontalmente a idolatria, veneração a muitos deuses, representados pelos ídolos. Os deuses do panteão pagão não eram muito diferentes dos homens, eles eram materiais e tinham sentimentos carnais e, portanto, pecaminosos, semelhantes aos dos homens. Senhores não apenas o bem, mas, também do mal. Eram deuses ou deusas que geravam filhos, de outros deuses ou de seres humanos, e os filhos oriundos da união entre um deus “deusa” e um humano eram semideuses, heróis do povo. Na mitologia antiga, muitos dos grandes e primeiros líderes da Grécia e de Roma eram dessa categoria.
Todavia, o verdadeiro Deus, desconhecido entre eles, exceto pela intuição e pela razão, que os conduzia a crê na sua existência, transcende ao homem, não se assemelha a ele, e nem tampouco a um animal, é imaterial, é totalmente divino. Ele é o criador de todas as coisas, a majestade suprema do universo (Sl.104.1,2; 113.5,6), embora esta seja negada e entenebrecida por diversas perversões do conceito da divindade, inventadas pelos homens.
Os deuses dos atenienses, não tinham solução para os seus próprios problemas, quanto mais para a problemática da redenção humana. O apóstolo mostra-lhes, pois, em seu sermão, que seus deuses por si só, não são deuses (Gl.4.8); são apenas produto de ficção, frutos da fértil imaginação humana (Atos 17.29).
O templo de Deus. Esta é uma promessa divina no Antigo Testamento, a começar pela ideia descrita em Isaías (Is.7.14), que retrata o messias como o Deus conosco (Mt.1.22). O Filho de Deus participou da natureza e das condições humanas (Jo.1.14), Seu propósito, conduzir o homem a compartilhar tanto da natureza, quanto da mente divinas (Cl. 2.10; I Pd.1.4; 2 Co.3.18). Esse é o significado do nome Emanuel. Ele está conosco, e é por nós (Rm.8.31). Jesus, em seus ensinamentos já ensinava sobre a realidade do Espírito Santo habitar no interior do crente (Jo.14.17). Mas seu ensino vai evoluindo à ideia que Deus Filho e Deus Pai façam do crente sua habitação (Jo.14.21,23); isso se dá através da presença do Espírito Santo. Agora, Ele não só habita conosco, Ele habita dento em nós.
A Tríade divina vêm fazer morada no crente, e não meramente com o crente; em outras palavras, no momento em que ouvimos a Sua Palavra, acontece a primeira manifestação divina a nós, Ele revela a nós nossa triste condição de pecador; revela-nos o salvador, e conduz-nos a crer no Filho de Deus (Rm.10.17). E, à medida que nós desenvolvemos o sentimento de amor por Sua Palavra, o Senhor vai se manifestando a nós. Assim, Ele forma unidade com os crentes, a “Igreja” (Jo.17.21). Dessa forma ele edifica a casa espiritual individual no crente, ‘essa é’ a concretização neotestamentária do fato de que Deus veio armar seu tabernáculo entre o seu próprio povo (Lv.26.ll; Ez.37.26).
Ora, se o Espírito Santo ‘habita’ em alguém, então esse coração se torna templo do Espírito Santo (I Co.3.16), tornando-se assim templo, casa, habitação apropriada para o Pai e para o Filho (Jo.14.23). O recinto sagrado, o lugar santíssimo. Sim, o crente é o lugar santíssimo onde habita o Espírito de Deus; logicamente, pois, tudo quanto Jesus Cristo tenciona para os crentes, deve ter cumprimento. Os crentes devem entender que, no Novo Testamento cada um é: o altar, o templo, o adorador e o sacerdote; cabendo-lhe a responsabilidade de oferecer sacrifício vivo, santo e agradável a Deus (Rm.12.1).
Os crentes são o templo de Deus (1 Pd.2.5); “casa espiritual” (Ef.2.22); habitação de Deus por meio do Espírito Santo (2 Co.6.16 e ss.; Rm.8.9,11; 2 Tm.1.14; Ez.37.27).
A Necessidade de Congregar. Somos templo, e ao mesmo tempo somos membros de um corpo, o corpo de Cristo (Rm.12.4-8). Nenhum de nós é corpo fora do corpo; fora do corpo somos apenas membros amputados, isto é, sem função alguma. Pior, o futuro de um membro amputado é a necrose e a putrefação. Quem o suportará?
Desde o seu nascedouro, a Igreja compreendeu a necessidade de reunir-se frequentemente para exercitar a espiritualidade e a aprendizagem. Entretanto, o adversário tem investido maciçamente, com o intuito de desestabilizar a “Igreja do Senhor”. A implementação dessa falsa doutrina nos últimos tempos, tem causado grande estrago no que diz respeito a espiritualidade e a unidade do corpo espiritual, a Igreja.
Congregar não é algo opcional. Ao falar sobre a edificação da Igreja (Mt.16.18). Cristo lança mão da palavra no original grego, ekklesia, refere-se à reunião de crentes, o que implica em uma comunidade local organizada. A igreja foi instituída como parte essencial da vida cristã. Significa que congregar não é algo opcional, é algo indispensável à vitalidade espiritual do membro.
É uma necessidade espiritual. A Bíblia fala frequentemente sobre a importância de viver em comunidade. Hebreus 10.25 diz claramente: “Não deixemos de nos reunir como igreja, segundo o costume de alguns, mas encorajemo-nos uns aos outros”. Esse versículo aponta que a reunião com outros crentes não é apenas um hábito, mas uma necessidade espiritual para encorajamento e crescimento mútuo.
Dons e Ministérios, a forma de Deus operar o aperfeiçoamento em Seus santos (Ef.4.11-13). Nesse texto, Paulo revela toda a estrutura organizacional da Igreja; Cristo deu à igreja apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres para edificar o corpo de Cristo. O corpo precisa funcionar de modo ajustado, isto é, organizado, só assim para os crentes receberem nutrientes espirituais e crescimento. Desprezar a forma organizacional da igreja conforme estabelecida pelo Senhor é renegar o modelo de ministério e discipulado idealizado por aquele que opera a redenção e a regeneração da nossa alma. É pôr-se em oposição a Deus. É colocar-se a serviço do inimigo das nossas almas, que não quer que cumpramos a vontade de Deus.
O autor aos hebreus é enfático ao declarar que os Pastores e líderes foram dados à igreja como guias e cuidadores espirituais (Hb.13.17). Aqueles que se afastam da comunidade dos fiéis se acham autossuficientes espiritualmente.
Há interdependência nos membros do Corpo de Cristo (1 Co.12.12-27). Cada crente tem um papel a desempenhar dentro da comunidade dos fiéis. Ser um “cristão independente” é negar a ideia de que cada parte do corpo precisa das outras para funcionar de forma saudável.
- Cristo é o cabeça de um corpo espiritual, tal como o corpo físico tem uma cabeça que governa os seus membros, Cristo é a cabeça que governa e dirige.
- Como no corpo físico o membro não é corpo, assim também é no corpo espiritual, o membro por mais que deseje, nunca será corpo “Igreja”. E necessita estar ligado ao corpo. Inevitavelmente tal membro deve participar da mesma natureza da cabeça (2 Co.3.18; Cl. 2.10).
Todos os membros do corpo buscam a mesma honra e glorificação espirituais (Rm.8.29,30). Se um dos membros recebe algum reconhecimento devido às suas elevadas realizações, em alguma inquirição espiritual, tal crente mostra que essa bênção está ao alcance de todos, e nisso todos se podem regozijar. Eventualmente Cristo conferirá a mesma glória para todos, quando a igreja cristã, no sentido mais literal do termo, for a sua plenitude. (Ef.1.23).
Um destaque, não há edificação fora da comunidade dos fiéis. Paulo põe em evidência a “edificação”, como a finalidade principal dos cultos cristãos. É por meio das reuniões “culto coletivo” que a igreja é edificada, corrigida, consolada e instruída, a fim de que todos os seus membros se conformem mais intimamente à imagem de Cristo. Os dons espirituais desenvolvidos no culto tem esse propósito; motivo que levou Paulo a destacar um capítulo em sua primeira epístola aos Coríntios para tratar sobre esse importante assunto (1 Co.14.3-5, 7-9, 11, 12, 14). Como pode ser edificado alguém que desconhece a importância do culto cristão? A verdade, é que os desigrejados estão afastados de Cristo (Mt.18.20), portanto, espiritualmente mortos (Jo.15.5), sem comunhão com o corpo; totalmente desprovidos dos nutrientes essencialmente necessários à sua subsistência como membro.
A Igreja a luz da Bíblia. Uma unidade perfeita, formada por seres humanos imperfeitos, mas submissos à Sua vontade e ao Seu grande amor (Jo.17.22). É a união do Filho com os que o Pai lhe dera no mundo, do Pai com o Filho e eles com o Filho (Jo.17.23). A Igreja, portanto, é a união daqueles que foram inseridos no corpo pelo vínculo da perfeição (Cl.3.14); aqueles que não conseguem congregar-se por discordar de alguma coisa no tocante a gestão da Igreja, isto é, por egoísmo, não poderão em hipótese alguma evocar para si o título de Igreja, pois estão completamente dissociados da Igreja do Senhor Jesus.
A expectação genuína da iminente volta de Cristo, é um fator que sem dúvida levaria o indivíduo a tomar-se membro ativo da igreja, onde a mensagem cristã é pregada publicamente e onde os homens busquem ser transformados em conformidade com a imagem de Cristo (1 Ts.4.15; 1 Co.15.51). No entanto, há infelizmente ausência dessa expectação não só nos desigrejados, mas também em muitos da comunidade da fé; o que é lamentável, mas não só isso, também o fato de que eles mesmos se elevaram a posição de super-mestre, não aceitando a instrução de ninguém absolutamente, ou elegeram para si, mestres da internet, aceitando apenas as suas palavras como verdadeiras. Fiquemos então com a recomendação bíblica: “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia” (Hb.10.255).
Finalizo com a declaração de Paulo, a Igreja é “coluna e firmeza da verdade” (1Tm. 3.15). Pense nisso.
O Senhor te abençoe e te guarde………..
Pr. Ezequiel da Silva Oliveira
